
Uma audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (24), na Câmara Municipal de Barreiras, colocou o sistema de transporte urbano no centro das discussões. O encontro resultou na definição de um prazo de até 90 dias para que o Poder Executivo apresente soluções concretas para regularizar o setor, incluindo a integração de motoristas alternativos a plataformas digitais e medidas para equilibrar financeiramente o transporte coletivo.
A iniciativa partiu da Comissão de Planejamento Urbano, Desenvolvimento Econômico e Transporte, formada pelos vereadores Rider Castro (presidente), Adriano Stein (relator) e Zé do Sorvete (membro).
O objetivo foi reunir autoridades, representantes de categorias e a população para discutir saídas viáveis diante da crise instalada.
Durante a audiência, o presidente da Câmara, Yure Ramon, fez duras críticas à condução da gestão municipal, especialmente no que diz respeito à aplicação de recursos públicos.
?Barreiras arrecada R$ 3 milhões por dia e o transporte está jogado às traças. Desafio o prefeito a enviar um projeto para esta Casa agora: se for para organizar o sistema sem prejudicar as famílias, não há um vereador que votará contra?
A fala reforça a cobrança por mais transparência e investimentos proporcionais à arrecadação do município, além do alerta sobre um possível colapso no sistema caso não haja intervenção imediata.
A situação financeira do transporte coletivo também foi exposta com números preocupantes.
Representando a Viação Cidade Barreiras (VCB), Neidilson Ribeiro destacou o impacto das gratuidades e a ausência de subsídios públicos.
Atualmente, a empresa transporta mensalmente cerca de 150 mil passageiros com direito à gratuidade ? entre idosos e estudantes ? sem compensação financeira da Prefeitura. O resultado é um déficit mensal de aproximadamente R$ 350 mil.
?Não temos nada contra os motoristas, mas o transporte clandestino nos pontos finais desequilibra o sistema. Sem esse repasse da prefeitura e com a usurpação de passageiros, fica impossível renovar a frota?
A vereadora Delmah Pedra trouxe um posicionamento estratégico ao debate, destacando que o foco deve ser a melhoria da gestão pública ? e não o confronto entre trabalhadores.
?O inimigo não é o colega que está ao lado tentando levar o pão para casa; o inimigo é a falta de gestão. Não precisamos inventar a roda, basta aplicar o que já funciona em outras cidades: regulamentar e usar a tecnologia para dar segurança ao passageiro e ao taxista?
A proposta reforça a necessidade de modernização do sistema, com regulamentação e uso de ferramentas digitais para garantir segurança, organização e eficiência.
O vereador Rider Castro, responsável pela proposta da audiência, defendeu o diálogo como caminho principal para resolver o impasse.
?A solução remediável é o prefeito chamar para uma conversa franca. A melhor saída para os alternativos é a criação de um aplicativo próprio ou a adesão aos existentes, saindo da clandestinidade para a legalidade com o apoio do município?
A sugestão aponta para um modelo já adotado em outras cidades, onde a tecnologia atua como ponte entre legalização, controle e geração de renda.
A audiência também abriu espaço para diferentes representantes e cidadãos:
No campo popular e acadêmico, também houve manifestações relevantes. A servidora Elaine Barbosa denunciou a falta de transporte no bairro Vale da Boa Esperança. Já pesquisadores da UFOB cobraram maior transparência nos dados de mobilidade urbana.
?Falta acesso aos dados de mobilidade. A prefeitura precisa centralizar esse controle e disponibilizar os horários e veículos para consulta pública?
Encerrando as falas, o cidadão Ronaldo Almeida reforçou a importância do transporte coletivo como direito essencial, principalmente para estudantes e idosos.
Ao final da audiência, ficou definido que a Câmara Municipal irá formalizar um documento oficial reunindo todas as demandas apresentadas. O material incluirá:
O documento será encaminhado ao Poder Executivo, com cobrança por medidas imediatas.
A audiência pública evidenciou que o problema do transporte em Barreiras vai além da disputa entre categorias. A principal demanda gira em torno de gestão eficiente, planejamento e ação política. Com prazo definido e pressão crescente, a expectativa agora recai sobre a resposta da Prefeitura ? e a capacidade de transformar debate em solução.